Tristeza em Leicester, a primeira cidade britânica a voltar ao confinamento

Cidade foi responsável por cerca de 10% de todos os casos no país na semana passada.

Fechamento acontece enquanto resto da Inglaterra se prepara para reabrir bares, restaurantes, cinemas e cabeleireiros no sábado.

Mulher passa em frente a loja fechada no centro de Leicester, no Reino Unido, na terça-feira (30), após a cidade voltar à quarentena AP Photo/Rui Vieira "É contra as liberdades", afirmou Will Horspool nesta terça-feira (30), amargurado como muitos outros moradores de Leicester, que se tornou a primeira cidade do Reino Unido a retornar ao confinamento devido a um aumento nos casos de coronavírus.

O golpe é duro para a cidade, enquanto o resto da Inglaterra se prepara para reabrir bares, restaurantes, cinemas e cabeleireiros no sábado.

Em Leicester, entretanto, o movimento é o oposto: todas as lojas, exceto de alimentos e farmácias, tiveram que fechar as portas nesta terça-feira e a maioria das escolas fechará na quinta-feira.

Horspool, 35 anos, estava se preparando para retomar a normalidade neste fim de semana.

"Eu queria tomar uma cerveja em um pub local", diz.

Agora, ele planeja ir a um café em uma cidade vizinha não afetada pelas novas medidas. Confrontado com a decisão de reconfinar Leicester, que ele descreve como "autoritária", prevê um retorno dos "bares clandestinos" que existiam durante a proibição.

"As pessoas não querem ser controladas", argumenta. Mulher passa em frente a lojas fechadas em Melton Road, também conhecida como Golden Mile, em Leicester, no Reino Unido, na terça-feira (30), após a cidade voltar à quarentena AP Photo/Rui Vieira Dharmesh Lakhani, gerente do restaurante Bobby's, que emprega 20 pessoas, também estava se preparando para reabrir, com medidas preventivas: clientes a dois metros de distância, funcionários com máscaras e desinfetante para as mãos.

"Oito quilômetros ao norte, os restaurantes vão abrir, como eles vão impedir as pessoas de irem?", pergunta, sugerindo que as novas medidas não impedirão a circulação do vírus.

Leicester, uma cidade com cerca de 340 mil habitantes, com uma população de mais de 600 mil na área urbana afetada pelo reconfinamento, foi responsável por cerca de 10% de todos os casos no país na semana passada.

Houve 944 casos locais confirmados de coronavírus nas últimas duas semanas, anunciou a prefeitura da cidade.

"As pessoas não estão fazendo o que deveriam, há muitas reuniões, vão às compras ou protestam", diz Wendy Green, 56 anos, funcionária de um hospital que está se preparando para testar todos os seus funcionários.

Garotos andam de bicicleta em North Evington, em Leicester, no Reino Unido, na terça-feira (30), após a cidade voltar à quarentena Justin Tallis/AFP A epidemia "continuará e depois passará para a próxima cidade e depois para outra e para toda a Inglaterra", alerta.

Embora o ministro da Saúde, Matt Hancock, tenha pedido aos moradores da cidade que fiquem em casa "o maior tempo possível", muitas pessoas percorrem o centro, onde longas filas se formam em frente às agências bancárias.

Os cartazes lembram à população sobre a necessidade de lavar bem as mãos e do distanciamento social. Medidas "dolorosas" Em entrevista coletiva, o prefeito Peter Soulsby disse estar "muito preocupado com o bem-estar da cidade em geral e com a saúde de seus habitantes, mas também com a economia".

Militar orienta homem em centro de testes de Covid-19 no Spinney Hill Park, em Leicester, no Reino Unido, na segunda-feira (29) Joe Giddens/PA via AP Embora as novas medidas sejam "dolorosas" para a população, existe uma "perspectiva realista de que elas serão eficazes", disse.

Ele pediu mais informações para determinar a localização exata dos casos e saber "em quais bairros" e até "em quais ruas" o vírus atacou.

As razões para o recente aumento de casos em Leicester, mesmo entre crianças, permanecem incertas.

O "Sunday Times" sugeriu surtos em fábricas de alimentos e multidões do lado de fora dos restaurantes que vendiam comida para viagem.

O anúncio do reconfinamento da cidade ocorre em um momento particularmente ruim para o primeiro-ministro Boris Johnson, que na terça-feira anunciou seu "new deal", um grande plano de investimento público para reviver a economia britânica, deprimida pela pandemia e pela paralisação.

A oposição trabalhista o acusa de ter demorado a reagir ao surto de Leicester.

O líder conservador já foi amplamente criticado pela forma de administrar a pandemia, que matou mais de 43 mil pessoas no Reino Unido, o país mais afetado da Europa. Initial plugin text
Categoria:Mundo